A oposição em Angola insiste que há condições para que as eleições autárquicas sejam realizadas antes de 2017 e rejeitou os argumentos do presidente José Eduardo dos Santos que disse que provavelmente só em 2017 haverá condições para tal.
[dropcap]A[/dropcap]UNITA, por exemplo, pensa que se houver vontade por parte do Presidente da República as autarquias podem ser uma realidade em 2015.
Com efeito, o líder da bancada parlamentar do partido do Galo Negro, Raúl Danda, considera que as razões avançadas por Eduardo dos Santos, como obstáculos, para a implementação das autarquias no país não fazem qualquer sentido.
“Como é que há dinheiro para se dar ao Banco Espírito Santo de Angola, 5.7 bilhões de dólares, do erário publico para generais que envergonham o país ao irem gastar lá fora, compram casas lá fora, onde encontram milhões de euros dentro de casa, milhões de euros e dólares para irem jogar batota lá fora, para se praticar tráfico de seres humanos e prostituição internacional e não há dinheiro para se realizar as autarquias? Só pode ser brincadeira”, disse.
No seu recente discurso na Assembleia Nacional, o presidente Eduardo dos Santos indicou que mesmo em 2017 poderá ainda não haver condições para as eleições autárquicas.
“Será que até 2017 podemos adequar a legislação eleitoral e actualizar o registo eleitoral para as eleições gerais e conceber a legislação, para as autarquias locais e a realização das eleições autárquicas?”, interrogou na altura o chefe do Executivo dizendo ser apologista da prudência e do pragmatismo.
“Eu prefiro ser sempre realista e pragmático, prefiro ter um calendário de tarefas que possa cumprir efectivamente”, afirmou José Eduardo dos Santos.
Raúl Danda diz ser difícil acreditar nas palavras do presidente angolano: “O presidente José Eduardo dos Santos num momento diz uma coisa, noutro momento depois de ter dormido acordou e pensou bem e diz outra coisa. Isso é sinal que daqui a dois meses pode chegar à conclusão que este país não precisa de autarquias”.
“Com vontade política em 2015 nós podemos ter eleições autárquicas, porque não?”, concluiu o chefe da bancada parlamentar da UNITA.
Outro político que não faz fé no pronunciamento de José Eduardo dos Santos é Nelson Pestana (foto), do Bloco Democrático, para quem “a Constituição é para ser aplicada e não para perguntar se isso é ou não realista e pragmático”.
“As autarquias são um imperativo constitucional, para serem implementadas e não para perguntar se são realistas ou pragmáticos”, acrescentou o politico, lembrando que, no ano passado, José Eduardo dos Santos no discurso sobre o estado da nação “disse que não se pode mais pôr em causa a importância e a necessidade da implementação das autarquias”.
“Um ano depois vem dizer-nos que que não tinha pensado bem e que não levou em consideração uma série uma serie de pressupostos e que agora é realista e pragmático e acha que não se deve realizar antes de 2017!”, exclama aquele dirigente do Bloco Democrático.
Fonte: VOA
